XXXI

DEATH is a dialogue between 
The spirit and the dust. 
“Dissolve,” says Death. The Spirit, “Sir, 
I have another trust.” 

Death doubts it, argues from the ground. 
The Spirit turns away, 
Just laying off, for evidence, 
An overcoat of clay.

Emily Dickinson

Devaneio Qualquer

Arranquei
os vestigios de uma amizade qualquer
jurei por Deus
vou viver
sem a ti padecer
olhei nas memórias
e nas ilusões
as bestas
as canções
embalei-os num pacote fino
coloquei um selo e um endereço
mandei para a puta que pariu
descondeirei tudo que outrora havia considerado
me martirizei
mas por fim respirei e chorei
senti o alívio que o esquecer nos trás
mergulhei em vãs caminhos
procurei das mesmas coisas
e mais bestas sardentas encontrei
atingi-as com balas temperadas de vergonha
e as detonei com sã memória
recolhi-me mais uma vez
deitei e me desliguei de teus passos
foi dificil esquecer-te
por tanto some-te de uma vez
me deleta, me expulsa
livra esta pobre alma desta repulsa

Priscila Trindade

E da tua alma...

E da tua alma...

Ando beijando-te o corpo inteiro
e sentindo falta da tua alma
será que se chateaste comigo?
Porque me privas assim de tua aura?
Hoje me deu uma falta de você
ou melhor de quem você era
mergulhei em uma profunda fantasia
e tentei buscar sua felicidade em algum lugar
porque se prende tanto se desejas me amar?
Mostre-me seu amor
me encante e me desmanche
Quero me sentir próxima a ti
me extasiar em teus braços
e jamais desejar partir
outrora eu te quis
mas nunca como te quero agora

Priscila Trindade

Surra de Palavras

Melhor mesmo é não levar nenhuma lágrima a sério.
São tantas
Prefiro esquecer
contradizer
Será que eu posso "dissentir"? 
Apagar todas as suas palavras
que me apunhalaram
É realidade ou fantasia?
Que não somos nada, nada iguais
Mas antes se eu achar que não é nada
que nunca foi nada e nunca será
 Que é apenas sonho que se tornou pesadelo
pesado
e
ferido
triste, feliz e delicado.

 Priscila Trindade

Nada de Angustia

E da minha angustia eu já sei
É porque eu preciso te querer mais
te sentir mais
te viver mais
te beijar mais
te acariciar mais
Eu não sabia, eu não sabia
meus desejos se esconderam e eu deveria tê-los deixado acessos
Porque hoje eu me dei conta de que sinto falta
de todos os momentos
bons e únicos
que vivemos.
Vamos reviver tudo?
Sonhar, brincar, desejar
voltar a acariciar
te quero! te quero comigo!
A vida é tão curta, tão rapida
desperdiçar com malicias
não foi o que a gente sonhou.

Priscila Trindade

Futuro Incerto

A partir de agora
a única certeza é a incerteza
Ao que me resta ao menos tenho a beleza do seu olhar
e o teu sorriso para admirar
Tuas prosas tão singelas
e o seus verbetes que me tiram do sério
ao brilho de uma vida ao teu lado
sigo e me encorajo
que seja eterna esta vida de incertezas
já que destruí todas as escolhas
Se estarás comigo meu bem?
Não sei, embora tu digas que sim
De tanto que apanhei
juro pra ti: não sei!

Priscila Trindade
Its been a while
I know it would be back soon or later
and I feel so bad, it kills me.
Do you know it? It gets me so blue.
So blue I do feel.
I don't even wanna understand
why life is so heavy with me
Why can't I just simply live a dream?

A Praça

As vezes vou aquela praça
onde costumávamos virar a noite
bebendo e gargalhando da vida
Noites lindas e eu sabia que seriam eternas
pelo menos em minhas lembranças
A marca daqueles cigarros que tanto me angustiavam
Ora não sabia se os gostava, ora os odiava por completo
Ainda assim, sinto o calor quente de sentimentos múltiplos
Que suas vozes me deixavam
Sento no banco em frente ao poste
Fecho os olhos e imagino-vos sentados ao meu lado
Contando piadas chatas e dançando suas músicas favoritas
Era temporário, eu sei
A vida me ensinou muito cedo sobre os prazos.

Priscila Trindade

DECEPÇÃO

Que desengano, que aflição
Porta fechada na cara!
Tantos sonhos e agora tantas lágrimas
desespero, magoa, raiva, ódio
tantos sentimentos ruins misturados em clausuro
sensação de ser o pior humano desta terra
ai de mim se assim mesmo fosse comprovado
que eu fosse amordaçada e nunca mais me chegasse nada
mas não
me encho de sonhos, fantasias, alegrias para então
a porta fechar-se.

Priscila Trindade, em devaneios de tristeza.

Noites de Verão

As noites de verão são tão estranhas
para pessoas como eu
que já viveram muito
tanto caminhei por aquelas ruas
e a gargalhar-me de felicidade sentei ao seu lado
era tudo tão límpido, tão juvenil
ainda sou jovem
mas outrora era ainda muito mais
o amor puro que ainda continuamos a trocar
foi o principal motivador de momentos que agora são nostálgicos
fico aqui
remoendo
lembrando
desejando
sou terrível nostálgica
a saudade quer explodir meu coração
e deixo eu? Deixo eu?
Não deveria não.

Priscila Trindade, em devaneios de Saudade.

FANTASIAR

FANTASIAR

Oh ideologia perspicaz
que me acorrenta sem misericórdia
Tenho medo de me perder por ser incapaz
de recuperar, sem ti, a minha tranquilidade

Seria tu a razão de eu não tê-la
Será que achas justo tamanha crueldade?
Deitar e me afogar em desejos cruéis de sentinela
Me achar banal em sua tamanha intensidade

Devia ter me importado aquém de tanta seriedade
Porque ainda que esnobe minhas afeições
Não teria eu que me afogar aos prantos por ti

Que há eu de nem chorar a última gota
dane-se a coerência dos sentimentos
gozar da fantasia é amar toda esta estupidez.

Priscila Trindade, em devaneios da madrugada.