Conto: Amor Suicídio

Amor Suicídio



Parei diante ao meio fio, entorpecido em meus pensamentos, estava possuído por infames sentimentos, então seria assim? Eu nunca fora o ideal. Não havia ninguém na rua, nem um único carro. A avenida da minha vida estava como eu gostava calma e reflexiva. No relógio marcava um pouco mais que meia noite. Segurei firme a bicicleta assim como segurei minhas lágrimas, era o fim... Dois carros se aproximavam, fixei meus olhos nos da menina do celta vermelho, queria que ela me compreendesse, ao que parecia ela também sentia a minha dor.
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O mundo sempre me deu a impressão de ser um lugar para a sobrevivência de poucos. Nunca me senti tão próximo às pessoas de meu convívio, mas também nunca fui dos mais deslocados. Acontece que minha boa convivência se deu a sempre eu preferir me calar a expressar meus profundos pensamentos sobre algo ou qualquer pessoa. Minha rotina se resumia a ir a faculdade ouvindo minhas músicas favoritas no meu Ipod durante a semana e a sair com poucos amigos que tinha aos sábados, nos domingos eu apenas escrevia no meu pequeno e ao mesmo tempo imenso caderno de poesias, ou o caderno do meu mundo como que gostava de chamar.
Foi numa dessas saídas de sábado a noite, que meu amigo Marcelo me levou ao aniversário de uma colega sua de trabalho, Fernanda, havia a visto poucas vezes, mas me sentia confortável em sua presença, ela era uma daquelas pessoas que você se senti especial por perto e não me perguntem o porque, nunca saberia dizer. Arrumei-me na casa do Marcelo, passamos a tarde juntos no shopping, compramos até alguns presentes para entrega-la quando chegássemos lá.
Eu me sentia feliz com a felicidade do meu amigo, ele tinha acabado de se tornar noivo, estava planejando seu casamento para daqui a alguns meses e me contava de todos os detalhes como tanta empolgação que seria difícil para-lo. Ao chegarmos à casa da Fernanda, tudo parecia ótimo, muitas pessoas e muita música barulhenta bem alto, gostaria de continuar com meu Ipod ligado, mas Marcelo sempre me pedia para tentar socializar e conhecer pessoas novas. Sentamo-nos a uma mesa com alguns amigos dele e alguns outros desconhecidos, sentei-me distraído, mas ao levantar meus olhos dei de cara com um rosto que certamente jamais poderia me esquecer de novo. Ele tinha um rosto de anjo, uma pele de porcelana, olhos verdes, lábios carnudos e um corpo de tirar o fôlego.
- Olá – ele me disse com os olhos penetrantes, parecia que a voz dele se direcionava apenas para mim, tinha mais alguém ao nosso lado?
- Ah,Fabrício, quanto tempo rapaz! Quando voltou de Milão? – interferiu Marcelo, para a minha sorte, respirei fundo e olhei pasmo, ele sabia que eu as vezes não tinha reação a alheios, mas ele nem si quer imaginaria que meu coração estava desesperado.
-Voltei a duas semanas mais ou menos, perdi meu celular por isso ainda não entrei em contato com todos – respondeu o então nomeado Fabrício.
- Este é meu amigo Bruno – apresentou-me Marcelo
- Prazer, tudo bem? – Tentei sorrir.
Desde momento então, todos na mesa conversaram sobre inúmeros assuntos, Fabrício participou de todas as conversas que pode, eu não conseguia parar de encarar seus olhos e corava ao ver que ele algumas vezes retribuía meu olhar.
Por volta das 3h decidimos ir embora, Marcelo me deixaria em casa, nos despedimos de todos. Dei um beijo de despedida na Fernanda, e o esperei. Enquanto eu esperava pela minha carona, Fabrício dos olhos penetrantes se aproximou para se despedir.
- Bom te conhecer
- Igualmente...
- Será que poderia adiciona-lo ao meu facebook?
- Sim, sim, claro. Pode procurar por Bruno Sanches.
- Pensei que iria procurar Bruno Rostinho Lindo, enfim... Tenha uma boa noite nos falaremos mais.
Corei ao ouvir “Bruno Rostinho Lindo”, então não teria só eu apenas a deseja-lo esta noite, ele sentia algo por mim também. No caminho a minha casa contei ao Marcelo o que ele tinha me dito, ele simplesmente riu sem parar e cantou algo como “Você finalmente gostou de alguém”. Não é que eu nunca tinha gostado de alguém antes, eu apenas não tinha muita sorte no amor. Minhas aventuras amorosas duravam horas suficientes para serem um verdadeiro nada brocando a minha alma. Eu sou uma pessoa sensível, não vejo limites nas razões da emoção, se é que ela tem alguma.
Cheguei em casa ansioso para confirma-lo em meu facebook, finalmente este site teria uma função legal além de ver imagens chatas todos os dias. Como esperava, lá estava uma solicitação de um cara muito charmoso “Fabrício Vieira” adicionado com sucesso, pensei em deixar uma mensagem de boas vindas, abri seu bate-papo, escrevi algo como “Está aceito, espero conversar com você em breve” achei idiota e apaguei tudo, melhor seria esperar por ele com meu absoluto silêncio, afinal nunca vi alguém errar por não falar nada.
*                                                                *                                                                         *
No dia seguinte acordei por volta das 10h, acho que sonhei com o Fabricio, que loucura.
Abri meu facebook para checar se tinha alguma novidade, e logo me surpreendi com um Oi seu.
- Bom dia
- Bom dia, já acordado? – Perguntei afim de não parecer monossilábico
- Sim, o dia está muito lindo para ficar deitado
- haha... Pensei que tinha curtido o resto da noite
-Poderia ter curtido se tivesse a companhia certa, gostaria de fazer algo legal hoje?
-Ahn... sim, mas o que?
- Eu moro no Bairro VII, aqui tem um parque muito legal, com um lago e alguns parquinhos, o que você acha de um piquenique?
Meu Deus! Um Piquenique com um cara que eu apenas conheci ontem, estremeci, o que eu iria fazer com ele? Eu fiquei apavorado. Se fosse qualquer outro ser no mundo aceitaria, não aconteceria nada demais, as pessoas se conhecem e sentem vontade de se conhecer melhor. Ele não seria maldoso comigo, vamos lá...
- Ah claro! Por mim está ótimo.
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Cheguei 10 minutos antes do horário marcado, não combinamos nada do que levar mas mesmo assim eu preparei alguns sanduiches, sucos e até levei um lençol xadrez que poderíamos usar para sentar no gramado. Sentei no banco em baixo da arvore de amêndoa a qual combinamos nos encontrar, e logo o avistei vindo com uma sacola que aparentava estar cheia de lanches, o vento fazia com que seu cabelo caísse nos seus olhos o deixando irritado, achei isso tão fofo.
- Bruno, estou atrasado? Tentei chegar o mais cedo que pude – aproximou-se
Levantei para cumprimentá-lo
- Eu cheguei tem apenas dez minutos, trouxe alguns lanches também e já vi um lugar bem legal que eu acho que podemos fazer nosso piquenique.
- Sim, claro, vamos lá!
Arrumamos as coisas em cima do lençol xadrez, comemos alguns sanduiches e começamos a conversar. Nosso assunto inicial foi sobre os livros que já havíamos lidos, nada em comum a não ser um livro de Dostoievski. Logo após, já perdendo um pouco a timidez começamos a conversar sobre nossas famílias, parentes, amigos, histórias engraçadas da nossa vida, gargalhadas.
- Você é ótimo, nunca mais tinha rido tanto assim – disse-me Fabrício.
- Desculpa se minha vida é uma divina comédia – ele riu mais um pouco
-Olha, ta vendo como o sol está se pondo de uma forma tão linda hoje?
- Sim, magnífico.
- Magnífico. Então vai ser essa a palavra que irei usar.
- Para que?
- Para descrever o quanto gostei de passar esta tarde hoje com você.
Meu coração explodiu em sentimentos desconhecidos, eu me senti tão... feliz.
- Eu nunca senti isso antes – Prosseguiu Fabricio – ontem quando lhe vi senti que queria te conhecer o máximo eu pudesse, não me arrependi disso.
O engraçado, é que eu não sabia como dizer a ele que me sentira da mesma forma, sem entender meus atos o abracei e sem perceber nos beijamos um longo, demorado e intenso beijo. Talvez o melhor que já tivesse provado na minha vida.
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 Fabricio me contou que era ciclista, ia para quase todo lugar de bicicleta. A partir do dia do piquenique ele me ligava todos os dias ao silêncio de noite e nos víamos com frequência. Até comprei uma bicicleta para poder acompanha-lo ao domingos de manhã. Era algo lindo, corríamos em trilhas, parávamos abaixo de arvores, nos beijávamos intensamente. A esta altura da minha vida, eu estava pensando como o amor deixava a vida bastante mais bonita.  O mundo ao meu redor agora era colorido de cores vivas e explosivas, cada explosão irradiava meu coração de felicidade.
O empurrei contra uma pequena árvore que estávamos encostados e o olhei firme nos olhos
- Eu te amo, fica comigo, todos os dias, minha felicidade?
- Até eu morrer, eu te amo.
Foi incrível para algumas pessoas como as coisas aconteceram rápidas entre eu e Fabrício, ele se tornara o homem da minha vida, o meu grande amor perdido e reencontrado de algum lugar, a outra metade da minha alma, em poucos 3 meses de relacionamento, ele já sabia de todos os meus medos e segredos. Parecia que vivíamos uma história só nossa em um mundo onde só existia nós dois.
Subimos em nossas bicicletas e fomos para sua casa, eu passava todos os finais de semana na casa dele, respirando nosso amor. Arrumamos-nos e recebemos Marcelo e Tiago para almoçar conosco.
Eles estavam muito empolgados, iriam fazer uma viajem juntos para o Rio Grande de Norte, e ficariam lá mais ou menos um mês, a verdade é que Tiago iria a negócios e Marcelo apenas para se divertir, fiquei feliz pelos dois, como sempre. Parece que nossas vidas tomaram rumos iguais ser feliz a dois.
- Estou muito feliz por você e o Fabrício – disse Marcelo ao se despedir de mim – vocês são como Tyler e Ethan, simplesmente fofos de morrer.
- Obrigado, sentirei sua falta meu amigo
- Vou e volto num piscar de olhos.
No dia seguinte antes de ir à faculdade fui ao aeroporto me despedir mais uma vez de Marcelo, ele me deu o cd Body talk da Robyn, uma das minhas cantoras favoritas, fiquei muito entusiasmado.

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Após as aulas, pensei em ir a casa de Fabrício de surpresa, percebi que desde as 14h não tivera mais notícia alguma dele, o que não era assim tão normal.
Ao chegar e apertar a campainha, nenhuma resposta, sua bicicleta estava encostada no muro da varanda, porém a moto que ele usava tão raramente não se encontrava, me pergunto onde ele estaria quando a luz do farol surgiu atrás de mim.
- Ei amor, está aí a muito tempo?
- Primeiro me diga porque não retorna minhas ligações – disse furioso
Ele desceu da moto e me abraçou
- Me desculpa amor, tive um dia longo de trabalho, a empresa estava um caos, vamos entrar? – Disse enquanto em abraçava e me deixa beijos por todo o pescoço, desse jeito eu nunca conseguia ficar com raiva por muito tempo.
Entramos, namoramos, matamos nossas saudades. Ele me contou de todos os novos problemas da empresa a que ele trabalhava, e eu o escutei atenciosamente, ele precisava de carinhos e de cuidados, seus olhos brilhavam menos hoje mas seu corpo ardia muito mais. Eu senti um medo terrível de perde-lo, queria passar a noite ali e assim o fiz, dormi com ele em meus braços e não consegui soltar-lo, uma pontada aguda surgiu em peito, por fim dormi. Ao acordar uma mesa de café da manhã já estava posta, como era de costume. Ele sempre fazia suco de alguma coisa, hoje era de laranja e fazia torradas, ele amava torradas. Eu só comia por causa dele.
- Bom dia amorzinho, se arruma em 20 minutos que vou te deixar em casa tá?
O beijei como resposta e obedeci. Em 15 já estava com o capacete da moto esperando num banquinho que tinha na sua varanda, coloquei algumas músicas do The Zutons para tocar, hoje o sol estava um pouco torto. Subi na moto, mas antes recebi um beijo roubado com gosto de morango e barba por fazer.
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Eu nunca imaginaria que seria a última vez que subiria naquela moto.
O transito parecia barulhento como sempre, mas eu estava intertido ao meu Ipod, abraçado a sua cintura e apenas pensando em qual presente comprar para nosso 6 aniversário de namoro. Quando tudo aconteceu tão rápido. Olhei para frente quando o sinal fechou e a moto parou mas o tombo veio do lado esquerdo, senti um forte impulso na minha perna quando um carro a toda velocidade nos pegou,  eu sai voando para cima o chão, quando outro freou subitamente a minha frente, meu coração gelou, o que estava acontecendo?
As pessoas gritavam para eu não levantar, para eu não me mexer e eu gritava por Fabricio, “ele está incosciente” alguém me disse.
- Fabricio, Fabricio meu amor, você está bem? – Perguntei parado ao seu lado, o desespero em mim era imenso, como tudo isso tinha acontecido? Ele parecia não estar respirando, eu estava louco, gritando por ajuda, apertando seu peito e gritando por favor. – Por favor, aguente firme, por favor não me deixe. Eu sentia uma parte de mim embora.
Foi quando ele acordou
- Graças a Deus meu amor, uma ambulância está a caminho – disse em meio as lágrimas, mas não estava nem um pouco aliviado.
- Bruno...
- Não diga nada por favor, você está machucado.
Fabricio tinha sido empurrado com toda força e caído por debaixo da moto, em volta da sua cabeça havia uma poça de sangue, e parecia que ele tinha quebrado mais alguns membros. As pessoas ao redor continuavam alertando para não se mover.
- Bruno, eu...
- Eu te amo, vai ficar tudo bem, você vai ver
- Bruno, escuta – disse com a voz tão fraca, tive que encostar meu ouvido em sua boca para poder ouvir
- Eu nunca fui tão feliz com alguém – me disse por fim, parei para pensar por alguns segundos quando senti seu corpo parando completamente.
Entrei em desesperado, comecei a gritar por socorro, por ajuda. Algo em mim recusava por completo aquele momento que estava acontecendo, eu queria voltar, eu queria estar sentado na mesa de café da manhã mais uma vez, eu ainda não tinha dito tantas coisas, por favor, deve haver  um jeito de salva-lo.
A ambulância levou uma eternidade para chegar, eu estava abraçado a seu corpo no chão da avenida. A paramédica disse que não tinha mais o que eles poderiam fazer.
- Seus irresponsáveis, tudo isso é culpa de vocês!
Gritei e desmoronei ao caos. O que seria da minha vida agora?
Fui correndo para casa, enquanto começava a chover e tudo se tornava cinza e preto ao meu redor, parei no muro do meu portão para respirar, não existia ar em canto algum, dei um murro na parede, minha mão sangrou mas não parecia doer, chutei tudo que apareceu na minha frente, bati no meu próprio rosto “meu amor morreu” suspirou meu coração. Eu precisava respirar, peguei a bicicleta e pedalei chorando e Semp prestar atenção para onde estava indo.
*                                                                *                                                                         *
Duas horas depois, senti minhas pernas doerem e meu coração desacelerar. Eu não conseguia parar de gritar “não” em minha cabeça, isso nunca poderia ter acontecido, porque o mais lindo do meu mundo teve que partir num dia tão comum? Foi então que eu decidi.
Arrastei minha bicicleta até o meio da avenida, que era onde as pessoas andavam em segurança. Olhei a lua que agora estava livre das nuvens. A dor fez com que meu coração sangrasse de novo. Pensei em como minha vida seria uma prisão de escuridão perpetua, foi quando eu avistei a única coisa possível aquela hora da madrugada, dois carros em minha direção. Meu coração acelerou, talvez eu pudesse te encontrar de novo.
Olhei nos olhos da minha que dirigia o celta vermelho, e esperei ela se aproximar, parecia que ela me entendia, mesmo parecendo distraída.
Foi quando resolvi ir aos braços de quem tanto amei.
*                                                                *                                                                         *
- Bruno?  Você está acordado?
Acordei lentamente do que parecia ter sido um pesadelo, onde estava Fabricio? No meu sonho eu só queria encontra-lo.
- Bruno, meu Deus, você acordou!
Marcelo comemorou por algo que eu não compreendia.
- Eu sinto muito, você esteve em coma por 1 mês e 5 dias, deve ter sido difícil para você, eu queria muito estar aqui meu amigo.
Um mês e cinco dias.
Foi então que minha cabeça doeu ao se lembrar do triste fim da minha vida. Eu estava em coma, mas  em algum lugar da minha consciência eu sabia, que eu tinha decidido por um fim na minha vida, porque ela parecia não ter mais sentido algum sem aquele que eu amava. Eu não pude chorar por ele mais do que já havia chorado, eu não pude enterra-lo, nem dizer mais um último adeus, e ainda não pude reencontra-lo, a vida era mais cruel ainda porque teria que viver o resto dos meus dias sem ele.
-O que importa é que agora você está bem, eu vou levar você pra casa e cuidar de você, essa fase ruim na sua vida vai passar – continuava a falar sem perceber que eu não ouvia.
Olhei para Marcelo de relance, parecia que ele tinha tido dias muito ruins também. Parecia que dias ruins era o que havia restado.
*                                                                *                                                                         *
Ao retornar para casa, mal consegui olhar para meu computador. Resolvi não toca-lo. Marcelo foi preparar algo para eu comer, e eu frustrado revirei todas as minhas coisas atrás do meu celular, o encontrei num saquinho do hospital na minha mochila.
Não sei para que fim chequei meus SMS, tinha tantas vezes o nome Fabrício que fiquei tonto. Uma de suas mais recentes mensagens tinha o trecho de alguma música que eu não sabia ao certo mas dizia “Algum dia, uma linda chuva virá e nos lavará para longe”. Algum dia, essa chuva me alcançará?
Resolvi não esperar tanto, a vida continuaria para mim, mas nunca viveria sem ele em meus pensamentos, nunca iria retirar o porta retrato com nossa foto da parede e nunca sairia de casa em dias de sol torto.
Eu aguardo a chuva, eu guardo nosso amor.
A vida resolveu voltar a mim e um dia eu me rendi a ela. Voltei a faculdade e aos eventos de sábado.
Porém aos domingos eu chorava lágrimas de sal.

Priscila Trindade

Nota de Autora:

Uma madrugada qualquer enquanto voltava para casa em meu carro, avistei um ciclista que parecia esperar que eu passasse para atravessar, me surpreendi sem perceber quando ele me encarou muito profundamente nos meus olhos parecendo se desculpar e se jogou na frente do meu carro. Enquanto eu freei o máximo que eu pude um táxi veio ao meu lado e o arremessou para muito longe. Ele ficou inconsciente e foi levado a um hospital. Eu nunca soube o que aconteceu com ele, mas resolvi dá um nome e uma história ao seu rosto triste.

Alma Chorosa

Minha vontade se tornou abstrata
nas ruas vazias da eternidade
minha alma se torna chorosa
aquem de pensamentos torturosos
me entendo como ninguém

Vejo além de toda hierarquia
onde perdemos a noção de nos sentir
Minha alma está chorosa
eu gosto de você
gosto de como se torna ambiguo para mim

E quem nos conhece sabe
eu andei em um rio de lágrimas
me afundei
e de tudo o pior foi que eu gostei
me deixei lá em meados de pronfudezas obscuras

parecia mais confortavél do que seus braços
era um lugar conhecido desde a infância
Eu me perdi. Me deixei estar. Nunca mais voltei.

Priscila Trindade

Te beijomar

Te beijo no mar
A brisa não esta soprando atoa entre nós
Seus cachos, seus lábios
Sensação de autorretrato
Não te chamo
Te deixo estar
Por si
Aqui
Tantas vozes que escolhemos não ouvir
Para poder brincar 
Com os espectros das nossas mão 
E-N-T-R-E-L-A-Ç-A-D-A-S

Priscila Trindade

Novo Layout

     Boa noite pessoal, agora meu blog está com este novo e lindíssimo layout feito por Douglas Mota. O que me faz querer explicar o quanto o desenho tem a ver comigo. Como poucos devem saber, escolhi o nome do blog "Muro dos Devaneios" porque senti a necessidade de colocar um pouco de mim em versos, que sejam poemas, contos ou apenas pequenos trechos.
     Geralmente sou uma pessoa muito pessoal ao escrever, todos os textos aqui encontrados tem muito a ver comigo, fazem parte de algum momento da minha vida, seja atualmente ou seja de anos atrás. O importante é que contem um importante fragmento de mim, retirado de momentos diversos, os quais entreguei todos os meus sentimentos para redigi-los, seja apenas de pequenos devaneios durante a madrugada, meu momento mais criativo onde fico de frente ao meu notebook com as melhores músicas tocando... onde a vida me encontra com milhares de palavras que sentem a vontade de ser escritas.

Espero que compreendam um pouco a importância destas linhas para mim.
Até a próxima e mais uma vez muito obrigada Douglas, sou sua fã!