Peço que você desconsidere tudo que eu já escrevi um dia
Sabe o que aconteceu? Eu me perdi.
E agora sei la onde eu tô.

O Coração

Fechei o portão
passei uma firme corrente
e coloquei pelo menos 3 cadeados
Certifiquei que estivessem bem trancados
Por fim, me arrependi.
Retirei tudo, os cadeados, as correntes
e voltei atrás de novo.
Fiquei assim
Brincando de imaginar as coisas
mudei de ideia mais dez vezes
no fim dormi e não sonhei
afinal, o portão fechou sozinho dessa vez.

Priscila Trindade

O Amor

Apenas entender o que é o amor, eu queria
uma ideologia? Uma fantasia?
Decidi! É uma invenção fora do normal
Expectativas e incertezas 
De que o para sempre vai terminar amanhã de manhã
De nossa sala, ao espiar pela janela
irei ver o vento te soprar
a noite, nossas mãos irão se encontrar
para, entre o vão eterno da confusão, passear

Priscila Trindade

Primaveras

Não perca tempo pensando 
nas primaveras da vida
escolha um único caminho
o mais florido, o mais colorido
ouça o som dos passarinhos, voe com eles
vá sentir o perfume das mais lindas rosas
porque pessoas como eu
se vão para sempre quando ouvem adeus

Priscila Trindade

Vai lá Maria

A arte de escrever
é agora inexpressiva
o que dizer? o que sentir?
Vai com Deus, Maria...
Vai com Deus!
Já foi? Vira na esquina e cai da ponte.

Priscila Trindade

I just came to say hello

Ao entrar no local onde as luzes me gritavam
te avistei a olhar-me profundamente
flashlights e drinks
um "encantada" chega aos meus ouvidos
O alcool me diz que posso tê-la
vou adiante e tento me recompor 
mas quando seu olhar para no meu
flashlights
te beijo profundamente
ouço tuas desculpas 
nos deparamos a um imenso abismo continental
para sempre sem ser sempre

Priscila Trindade

Sem Você

Sem você...
O chão desapareceu dos meus pés
meu coração se espinhou, não sinto nada
não desejo nada...
Me sinto a apenas continuar nesta jornada
esperando por um sinal teu
uma vontade de tua
Vem e diz-me que tudo não passou de um erro
de um engano...
Cuida de mim, meu coração é tão teu
que jamais se quer olhou pros lados desta estrada
Eu te quero e preciso de ti

Priscila Trindade

Meu itinerário

Meu itinerário
é de mim á pessoas
e de pessoas a solidão.
Não me serve de mais nada 
tentar variar a realidade
só me resta descansar e aceitar
o triste fim de Priscila Trindade

Viagem Solitária

As vezes, ao meio de tantas confusões
me pergunto porque sou assim
porque sou tão obscura
e a solidão se vem em volta
queria algo meu, queria me espalhar
queria viver, curtir, sonhar
mas então, querida solidão
ao mesmo que goste de ti, queria livrar-me
de  tuas redondezas
pelo menos pelo dia, a noite poderias voltar a ser minha
infligida abstrata companhia de merda 

Priscila Trindade

Conto: (Falsos) Laços Eternos



Roberta andou pensando e refletindo sobre como as coisas tinham se tornado tão pesadas. Quando ele, de repente, ligasse e perguntasse o porquê da ausência, ela responderia com indiferença que ela tinha andado ocupada com a faculdade e que estava tudo bem, ou poderia ousar responder que ele sempre dizia estar ocupado e não demonstrava sentir sua falta. Isso doía mais do que se poderia prever.
         Ela caminhava, esta tarde, afim de refletir sua nostalgia, pela praça que outrora tanto evitara. De repente se sentia miúda, rastejava sobre todos os eventos cotidianos de sua vida, ele estava em quase todos. Parecia até que seu cérebro só queria que ela pensasse nos momentos em que seu amigo estivera presente. Sentou-se no banco em frente ao poste que só acendia uma luz. Suspirou. Foi ali que pedirá Flavia em namoro em frente aos seus amigos íntimos, todos aplaudiram dizendo como eram lindas, como foram feitas uma para a outra. Lá estava ele, Pedro, também as elogiando e fazendo festa, tecendo planos como se fizesse parte de alguma família estabelecida ali. De algum modo Roberta entendia que aquilo, que era tão bom e tão lindo, era algo passageiro, já tivera sofrido tempos antes do mesmo mau, mesmo assim ela se obrigou a esquecer de seu passado e agarrou com todas as forças a aquele sentimento.
        Levantou-se do banco, pegou o celular e pensou em enviar um SMS para ele, afim de dizer algo do tipo, estou com saudades, sei lá, aparece aqui em casa qualquer dia, mas se conteve. Isso não faria diferença alguma, concluiu. Pensou como era engraçado, sofrer assim por um afastamento tão comum da vida. Pessoas vem e vão o tempo inteiro, tinha se sentido magoada algumas vezes por perder algumas pessoas importantes de sua vida, mas dessa vez estava sendo exagerada. Tentou se convencer sem sucesso, ele era importante, sim, com certeza. Lembrou-se de quando, dois anos atrás, estava em casa, quase cortando os pulsos de tanta aflição, a vida estava a detonando, tudo estava errado em todos os lugares, e a Campânia da sua casa tocou, inútil som, xingou e foi atender ao portão. Pedro, nem eram tão íntimos assim ainda, fora a sua casa e lhe enchera praticamente  a noite inteira sobre seus casos da vida. Daí em diante nasceu um sentimento de irmandade, uma amizade que parecia que desta vez lhe viera para sempre.  A companhia foi reciprocamente bela, tivera sua fidelidade a todos os momentos em que mais precisou até chegar o momento em que ambos tiveram suas vidas tomadas pelo trabalho e estudos.
    Roberta se dedicara completamente a faculdade, se tornara presente em quase todos os setores possíveis aos quais poderia se encaixar, o pouco tempo que lhe sobrava passava com Flavia, a quem estimava ao máximo. O tempo agora a fazia até mesmo se perguntar se estava no caminho certo da vida, se queria mesmo a profissão a qual seguia. Na verdade ao elencar tudo o que se passava em sua mente, agregou com a ausência que atribuía ao amigo era uma forma de se perguntar sobre todos os outros problemas da sua vida. Se ele não estava mais presente, então também significaria que pelo mesmo motivo todas as outras pessoas tinham saído sem explicações de sua vida. Então o problema era com ela? Ou era com consigo mesmo?
   Deixou o carro no estacionamento do Shopping e foi caminhando, ainda perdida em pensamentos torturantes, será que era véspera de réveillon e o fim de ano a estava atormentando ou sua consciência a pregou-lhe uma peça de muito mal gosto? Só queria deixar as coisas rolarem, se esquivarem de si mesmo.  Olhou a vitrine de uma loja de chocolate, entrou e comprou cinco trufas de chocolate amargo os quais guardou para mais tarde. Comeria enquanto estivesse colocando suas leituras em dia, se esforçaria hoje a noite, a tanto tempo abandonara seus  hobbies para ficar na cama pensando em qual o verdadeiro sentido da vida. Voltou para casa, o shopping definitivamente não lhe agradava naquele momento. Sentou-se na cadeira em frente ao notebook, olhou a tela pelo menos umas dez vezes e dane-se irei resolver isso agora mesmo, não  há conflito melhor resolvido que não seja através de uma conversa. Botou-se a ligar, chamou, chamou, até dá caixa. No mínimo ele deveria estar tomando banho, ou dormindo, ligou outra vez, e outra vez e tornou-se a cair na caixa de mensagem. Amanhã será outro dia, e novamente caiu na caixa. Às vezes deixamos pra lá, as vezes nos importamos, mas em algum momento as coisas sempre irão cair na caixa.  Provavelmente nós seres humanos não somos tão determinados assim para conseguir levar tudo que almejamos até o fim, as vezes o fim nos encontra primeiro. Reflexão feita, tomou um banho quente, se serviu de um chocolate com bolo, sentou-se no sofá comendo e percebeu o quanto a ausência estava se tornando uma rotina banal.
    Então é isso, aos poucos irei esquecer até não doer mais. Entrou no carro, ligou o som com seu cantor favorito no máximo, desceu toda a avenida sem se preocupar com limite algum de velocidade, acelerou até aquele sentimento perturbador passar. E passou. Estacionou em frente a casa de Flavia e a convidou a tomar um drinque em algum lugar. Vamos sair, comemorar, hoje estou me tornando livre! Flavia não questionou, como sempre. Fingiu não entender, era melhor não perguntar e deixar o momento acontecer.

Te avistei, te escolhi

Te avistei, te escolhi
ou melhor, algum sentimento em mim
te capturou para meu interior
andei sem entender
respirei pelas metades e consultei meus devaneios particulares
era O.k. tudo isso acontecer? Era errado.
Era perigoso e bonito ao mesmo tempo
era incerto, desespero.
Solidão que ainda habita em mim um dia me deixe saber o porque
ando sendo tão desgastada da minha própria vida
vivo o único e o inexplicável
não gosto de explicar
nem de responder perguntas
gosto do presente áspero e confortável

Priscila Trindade

Intento

Ainda intento teu sorriso
ainda te admiro
te vejo passar, te escuto sussurrar
posso acordar agora? 
A vida está ora um deslumbre, ora a me fatigar
preciso despertar

Priscila Trindade

Inconstante

Estou inconstante destratante
ouvindo música reflito meus sentimentos
Ambulantes, deprimidos 
Desejos sordidos,  sem cabimento algum
queria desistir deles,  jogar minhas vontades fora
mas são mais fortes que eu
Portanto,  não consigo me libertar
sou vitima de mim mesmo 
Me destruo,  me arraso
e levo tudo comigo.

Priscila Trindade

Garota Amarela II

Eu não quero ser tua
Porém, quero que sejas minha
Vem em minha porta
E me deixa entrar
Derrame lágrimas quando não me ver passar
sorria quando nossos lábios se encostar
me entregue sua alma, gema aos meus ouvidos
quando eu toca-la
Seu sexo envolve meus dedos mas são seus lábios
minha fonte de maior desejo
Ah, seus olhos, tão intensos, depois daquele momento me deixaram loca
a te chamegar
Ah, eu quero ser tua...

Priscila Trindade

Garota Amarela

Estes teus olhos tão meigos e bonitos
Me pegam sempre que estou a te encontrar
Eles me colocam em outra dimensão
Quero te abraçar, quero te beijar
A cima de tudo, quero sentir o que tens
de tão especial
Seu tom yellow me fascina mais do que o seu próprio sorriso
E as suas doces palavras me tem como inquilina
de um amor fora do convencional
Já experimentado por outras mil vidas
Quero te sentir antes de que a paixão se vá
Quero te explorar e te iniciar 
antes que se torne uma vaga lembrança
em meu extenso caderno de poesias

Priscila Trindade

I Wrote a poem for you

A very good one
About your very pretty style
Also I told that you are a gold secret
An aligator trying to eat my heart
Ain't no way for you to release me
Also I don't want it!

Priscila Trindade

Uma vida em que quase tudo deu errado


Eu apenas queria ver o céu
mas tudo parecia quebrado dentro de mim
uma lágrima brotou tão desesperada
não houve disfarces, não houve saída
Lembrei de você, uma invenção da minha alucinação
um alter ego criado para destruir a realidade
e me aprisionar afim de nunca escapar de mm mesmo
Não vi estrelas, nem nuvens
Não quis falar, revelar
Sequei as lágrimas, mas elas insistiram
corri, me escondi.
Esperei tanto minha alma se estabilizar para perceber
que todos os dias, seriam dias em que o interior
viria a falar mais alto e assim destroçar todos
os espaços, estes que sentem vontade de ser
verdadeiramente preenchidos.
Mas tudo deu errado na curva que aparentava ser certeira
todos os sonhos, fantasias que não viraram nada além de poeira
e eu regressei ao pequeno momento da ilusão
é um refúgio, é uma forma de aturar a vida.

Priscila Trindade





Aparte

Como é isso de sermos aparte?
Aparte de todos ao redor
aparte da vida...
esta que já me deixou faz tempo
fiquei a par de qualquer coisa
sou lixo ou sou mosca?
Devo descer aqui deste elevador
vou ficar no corredor da dor
porque sou visgada pelos meus pecados
não quero ser 
mas por você...
seria tudo igual
sangue frio no chão das minhas esperanças
me pergunto novamente 
agora que já nos matamos
sou lixo ou sou mosca?
sou o vapor da sua boca

Priscila Trindade





Saudade XXII

Eu sinto uma saudade incansável 
daquilo que nunca foi...

Eu me vejo entre as nuvens te imaginando
Mas sabendo que você não faz o mesmo.

Sinto pelo que nunca aconteceu 
temo pelo que nunca acontecerá 
de tantas formas vivi teu amor renascendo aqui dentro
foi surreal, foi tentador
Senti a dor de novo
Me confundo

Você sente o mesmo?

Priscila Trindade

As Vezes Sou

As vezes sou a garota
que passa a noite solitária
ao som que ecoa dos fones de ouvido
Tentando conter qualquer falta de sentido 

A vida se remói entre todos nós
Não tendo qualquer retórica
para ampliar-nos
de nossos bárbaros fins onde nos tornaremos casca

Estou indo mais uma vez
estou dobrando as ruas
descendo cada degrau de insensatez
estou borrando minhas fantasias e as tornando cruas

Paro aos retalhos
Sentindo a escuridão indesejada
Posso fingir outra vez

Priscila Trindade

Conto: Amor Suicídio

Amor Suicídio



Parei diante ao meio fio, entorpecido em meus pensamentos, estava possuído por infames sentimentos, então seria assim? Eu nunca fora o ideal. Não havia ninguém na rua, nem um único carro. A avenida da minha vida estava como eu gostava calma e reflexiva. No relógio marcava um pouco mais que meia noite. Segurei firme a bicicleta assim como segurei minhas lágrimas, era o fim... Dois carros se aproximavam, fixei meus olhos nos da menina do celta vermelho, queria que ela me compreendesse, ao que parecia ela também sentia a minha dor.
             *                                                                *                                                                         *
O mundo sempre me deu a impressão de ser um lugar para a sobrevivência de poucos. Nunca me senti tão próximo às pessoas de meu convívio, mas também nunca fui dos mais deslocados. Acontece que minha boa convivência se deu a sempre eu preferir me calar a expressar meus profundos pensamentos sobre algo ou qualquer pessoa. Minha rotina se resumia a ir a faculdade ouvindo minhas músicas favoritas no meu Ipod durante a semana e a sair com poucos amigos que tinha aos sábados, nos domingos eu apenas escrevia no meu pequeno e ao mesmo tempo imenso caderno de poesias, ou o caderno do meu mundo como que gostava de chamar.
Foi numa dessas saídas de sábado a noite, que meu amigo Marcelo me levou ao aniversário de uma colega sua de trabalho, Fernanda, havia a visto poucas vezes, mas me sentia confortável em sua presença, ela era uma daquelas pessoas que você se senti especial por perto e não me perguntem o porque, nunca saberia dizer. Arrumei-me na casa do Marcelo, passamos a tarde juntos no shopping, compramos até alguns presentes para entrega-la quando chegássemos lá.
Eu me sentia feliz com a felicidade do meu amigo, ele tinha acabado de se tornar noivo, estava planejando seu casamento para daqui a alguns meses e me contava de todos os detalhes como tanta empolgação que seria difícil para-lo. Ao chegarmos à casa da Fernanda, tudo parecia ótimo, muitas pessoas e muita música barulhenta bem alto, gostaria de continuar com meu Ipod ligado, mas Marcelo sempre me pedia para tentar socializar e conhecer pessoas novas. Sentamo-nos a uma mesa com alguns amigos dele e alguns outros desconhecidos, sentei-me distraído, mas ao levantar meus olhos dei de cara com um rosto que certamente jamais poderia me esquecer de novo. Ele tinha um rosto de anjo, uma pele de porcelana, olhos verdes, lábios carnudos e um corpo de tirar o fôlego.
- Olá – ele me disse com os olhos penetrantes, parecia que a voz dele se direcionava apenas para mim, tinha mais alguém ao nosso lado?
- Ah,Fabrício, quanto tempo rapaz! Quando voltou de Milão? – interferiu Marcelo, para a minha sorte, respirei fundo e olhei pasmo, ele sabia que eu as vezes não tinha reação a alheios, mas ele nem si quer imaginaria que meu coração estava desesperado.
-Voltei a duas semanas mais ou menos, perdi meu celular por isso ainda não entrei em contato com todos – respondeu o então nomeado Fabrício.
- Este é meu amigo Bruno – apresentou-me Marcelo
- Prazer, tudo bem? – Tentei sorrir.
Desde momento então, todos na mesa conversaram sobre inúmeros assuntos, Fabrício participou de todas as conversas que pode, eu não conseguia parar de encarar seus olhos e corava ao ver que ele algumas vezes retribuía meu olhar.
Por volta das 3h decidimos ir embora, Marcelo me deixaria em casa, nos despedimos de todos. Dei um beijo de despedida na Fernanda, e o esperei. Enquanto eu esperava pela minha carona, Fabrício dos olhos penetrantes se aproximou para se despedir.
- Bom te conhecer
- Igualmente...
- Será que poderia adiciona-lo ao meu facebook?
- Sim, sim, claro. Pode procurar por Bruno Sanches.
- Pensei que iria procurar Bruno Rostinho Lindo, enfim... Tenha uma boa noite nos falaremos mais.
Corei ao ouvir “Bruno Rostinho Lindo”, então não teria só eu apenas a deseja-lo esta noite, ele sentia algo por mim também. No caminho a minha casa contei ao Marcelo o que ele tinha me dito, ele simplesmente riu sem parar e cantou algo como “Você finalmente gostou de alguém”. Não é que eu nunca tinha gostado de alguém antes, eu apenas não tinha muita sorte no amor. Minhas aventuras amorosas duravam horas suficientes para serem um verdadeiro nada brocando a minha alma. Eu sou uma pessoa sensível, não vejo limites nas razões da emoção, se é que ela tem alguma.
Cheguei em casa ansioso para confirma-lo em meu facebook, finalmente este site teria uma função legal além de ver imagens chatas todos os dias. Como esperava, lá estava uma solicitação de um cara muito charmoso “Fabrício Vieira” adicionado com sucesso, pensei em deixar uma mensagem de boas vindas, abri seu bate-papo, escrevi algo como “Está aceito, espero conversar com você em breve” achei idiota e apaguei tudo, melhor seria esperar por ele com meu absoluto silêncio, afinal nunca vi alguém errar por não falar nada.
*                                                                *                                                                         *
No dia seguinte acordei por volta das 10h, acho que sonhei com o Fabricio, que loucura.
Abri meu facebook para checar se tinha alguma novidade, e logo me surpreendi com um Oi seu.
- Bom dia
- Bom dia, já acordado? – Perguntei afim de não parecer monossilábico
- Sim, o dia está muito lindo para ficar deitado
- haha... Pensei que tinha curtido o resto da noite
-Poderia ter curtido se tivesse a companhia certa, gostaria de fazer algo legal hoje?
-Ahn... sim, mas o que?
- Eu moro no Bairro VII, aqui tem um parque muito legal, com um lago e alguns parquinhos, o que você acha de um piquenique?
Meu Deus! Um Piquenique com um cara que eu apenas conheci ontem, estremeci, o que eu iria fazer com ele? Eu fiquei apavorado. Se fosse qualquer outro ser no mundo aceitaria, não aconteceria nada demais, as pessoas se conhecem e sentem vontade de se conhecer melhor. Ele não seria maldoso comigo, vamos lá...
- Ah claro! Por mim está ótimo.
*                                                                *                                                                         *
Cheguei 10 minutos antes do horário marcado, não combinamos nada do que levar mas mesmo assim eu preparei alguns sanduiches, sucos e até levei um lençol xadrez que poderíamos usar para sentar no gramado. Sentei no banco em baixo da arvore de amêndoa a qual combinamos nos encontrar, e logo o avistei vindo com uma sacola que aparentava estar cheia de lanches, o vento fazia com que seu cabelo caísse nos seus olhos o deixando irritado, achei isso tão fofo.
- Bruno, estou atrasado? Tentei chegar o mais cedo que pude – aproximou-se
Levantei para cumprimentá-lo
- Eu cheguei tem apenas dez minutos, trouxe alguns lanches também e já vi um lugar bem legal que eu acho que podemos fazer nosso piquenique.
- Sim, claro, vamos lá!
Arrumamos as coisas em cima do lençol xadrez, comemos alguns sanduiches e começamos a conversar. Nosso assunto inicial foi sobre os livros que já havíamos lidos, nada em comum a não ser um livro de Dostoievski. Logo após, já perdendo um pouco a timidez começamos a conversar sobre nossas famílias, parentes, amigos, histórias engraçadas da nossa vida, gargalhadas.
- Você é ótimo, nunca mais tinha rido tanto assim – disse-me Fabrício.
- Desculpa se minha vida é uma divina comédia – ele riu mais um pouco
-Olha, ta vendo como o sol está se pondo de uma forma tão linda hoje?
- Sim, magnífico.
- Magnífico. Então vai ser essa a palavra que irei usar.
- Para que?
- Para descrever o quanto gostei de passar esta tarde hoje com você.
Meu coração explodiu em sentimentos desconhecidos, eu me senti tão... feliz.
- Eu nunca senti isso antes – Prosseguiu Fabricio – ontem quando lhe vi senti que queria te conhecer o máximo eu pudesse, não me arrependi disso.
O engraçado, é que eu não sabia como dizer a ele que me sentira da mesma forma, sem entender meus atos o abracei e sem perceber nos beijamos um longo, demorado e intenso beijo. Talvez o melhor que já tivesse provado na minha vida.
*                                                                *                                                                         *
 Fabricio me contou que era ciclista, ia para quase todo lugar de bicicleta. A partir do dia do piquenique ele me ligava todos os dias ao silêncio de noite e nos víamos com frequência. Até comprei uma bicicleta para poder acompanha-lo ao domingos de manhã. Era algo lindo, corríamos em trilhas, parávamos abaixo de arvores, nos beijávamos intensamente. A esta altura da minha vida, eu estava pensando como o amor deixava a vida bastante mais bonita.  O mundo ao meu redor agora era colorido de cores vivas e explosivas, cada explosão irradiava meu coração de felicidade.
O empurrei contra uma pequena árvore que estávamos encostados e o olhei firme nos olhos
- Eu te amo, fica comigo, todos os dias, minha felicidade?
- Até eu morrer, eu te amo.
Foi incrível para algumas pessoas como as coisas aconteceram rápidas entre eu e Fabrício, ele se tornara o homem da minha vida, o meu grande amor perdido e reencontrado de algum lugar, a outra metade da minha alma, em poucos 3 meses de relacionamento, ele já sabia de todos os meus medos e segredos. Parecia que vivíamos uma história só nossa em um mundo onde só existia nós dois.
Subimos em nossas bicicletas e fomos para sua casa, eu passava todos os finais de semana na casa dele, respirando nosso amor. Arrumamos-nos e recebemos Marcelo e Tiago para almoçar conosco.
Eles estavam muito empolgados, iriam fazer uma viajem juntos para o Rio Grande de Norte, e ficariam lá mais ou menos um mês, a verdade é que Tiago iria a negócios e Marcelo apenas para se divertir, fiquei feliz pelos dois, como sempre. Parece que nossas vidas tomaram rumos iguais ser feliz a dois.
- Estou muito feliz por você e o Fabrício – disse Marcelo ao se despedir de mim – vocês são como Tyler e Ethan, simplesmente fofos de morrer.
- Obrigado, sentirei sua falta meu amigo
- Vou e volto num piscar de olhos.
No dia seguinte antes de ir à faculdade fui ao aeroporto me despedir mais uma vez de Marcelo, ele me deu o cd Body talk da Robyn, uma das minhas cantoras favoritas, fiquei muito entusiasmado.

*                                                                *                                                                         *
Após as aulas, pensei em ir a casa de Fabrício de surpresa, percebi que desde as 14h não tivera mais notícia alguma dele, o que não era assim tão normal.
Ao chegar e apertar a campainha, nenhuma resposta, sua bicicleta estava encostada no muro da varanda, porém a moto que ele usava tão raramente não se encontrava, me pergunto onde ele estaria quando a luz do farol surgiu atrás de mim.
- Ei amor, está aí a muito tempo?
- Primeiro me diga porque não retorna minhas ligações – disse furioso
Ele desceu da moto e me abraçou
- Me desculpa amor, tive um dia longo de trabalho, a empresa estava um caos, vamos entrar? – Disse enquanto em abraçava e me deixa beijos por todo o pescoço, desse jeito eu nunca conseguia ficar com raiva por muito tempo.
Entramos, namoramos, matamos nossas saudades. Ele me contou de todos os novos problemas da empresa a que ele trabalhava, e eu o escutei atenciosamente, ele precisava de carinhos e de cuidados, seus olhos brilhavam menos hoje mas seu corpo ardia muito mais. Eu senti um medo terrível de perde-lo, queria passar a noite ali e assim o fiz, dormi com ele em meus braços e não consegui soltar-lo, uma pontada aguda surgiu em peito, por fim dormi. Ao acordar uma mesa de café da manhã já estava posta, como era de costume. Ele sempre fazia suco de alguma coisa, hoje era de laranja e fazia torradas, ele amava torradas. Eu só comia por causa dele.
- Bom dia amorzinho, se arruma em 20 minutos que vou te deixar em casa tá?
O beijei como resposta e obedeci. Em 15 já estava com o capacete da moto esperando num banquinho que tinha na sua varanda, coloquei algumas músicas do The Zutons para tocar, hoje o sol estava um pouco torto. Subi na moto, mas antes recebi um beijo roubado com gosto de morango e barba por fazer.
*                                                                *                                                                         *
Eu nunca imaginaria que seria a última vez que subiria naquela moto.
O transito parecia barulhento como sempre, mas eu estava intertido ao meu Ipod, abraçado a sua cintura e apenas pensando em qual presente comprar para nosso 6 aniversário de namoro. Quando tudo aconteceu tão rápido. Olhei para frente quando o sinal fechou e a moto parou mas o tombo veio do lado esquerdo, senti um forte impulso na minha perna quando um carro a toda velocidade nos pegou,  eu sai voando para cima o chão, quando outro freou subitamente a minha frente, meu coração gelou, o que estava acontecendo?
As pessoas gritavam para eu não levantar, para eu não me mexer e eu gritava por Fabricio, “ele está incosciente” alguém me disse.
- Fabricio, Fabricio meu amor, você está bem? – Perguntei parado ao seu lado, o desespero em mim era imenso, como tudo isso tinha acontecido? Ele parecia não estar respirando, eu estava louco, gritando por ajuda, apertando seu peito e gritando por favor. – Por favor, aguente firme, por favor não me deixe. Eu sentia uma parte de mim embora.
Foi quando ele acordou
- Graças a Deus meu amor, uma ambulância está a caminho – disse em meio as lágrimas, mas não estava nem um pouco aliviado.
- Bruno...
- Não diga nada por favor, você está machucado.
Fabricio tinha sido empurrado com toda força e caído por debaixo da moto, em volta da sua cabeça havia uma poça de sangue, e parecia que ele tinha quebrado mais alguns membros. As pessoas ao redor continuavam alertando para não se mover.
- Bruno, eu...
- Eu te amo, vai ficar tudo bem, você vai ver
- Bruno, escuta – disse com a voz tão fraca, tive que encostar meu ouvido em sua boca para poder ouvir
- Eu nunca fui tão feliz com alguém – me disse por fim, parei para pensar por alguns segundos quando senti seu corpo parando completamente.
Entrei em desesperado, comecei a gritar por socorro, por ajuda. Algo em mim recusava por completo aquele momento que estava acontecendo, eu queria voltar, eu queria estar sentado na mesa de café da manhã mais uma vez, eu ainda não tinha dito tantas coisas, por favor, deve haver  um jeito de salva-lo.
A ambulância levou uma eternidade para chegar, eu estava abraçado a seu corpo no chão da avenida. A paramédica disse que não tinha mais o que eles poderiam fazer.
- Seus irresponsáveis, tudo isso é culpa de vocês!
Gritei e desmoronei ao caos. O que seria da minha vida agora?
Fui correndo para casa, enquanto começava a chover e tudo se tornava cinza e preto ao meu redor, parei no muro do meu portão para respirar, não existia ar em canto algum, dei um murro na parede, minha mão sangrou mas não parecia doer, chutei tudo que apareceu na minha frente, bati no meu próprio rosto “meu amor morreu” suspirou meu coração. Eu precisava respirar, peguei a bicicleta e pedalei chorando e Semp prestar atenção para onde estava indo.
*                                                                *                                                                         *
Duas horas depois, senti minhas pernas doerem e meu coração desacelerar. Eu não conseguia parar de gritar “não” em minha cabeça, isso nunca poderia ter acontecido, porque o mais lindo do meu mundo teve que partir num dia tão comum? Foi então que eu decidi.
Arrastei minha bicicleta até o meio da avenida, que era onde as pessoas andavam em segurança. Olhei a lua que agora estava livre das nuvens. A dor fez com que meu coração sangrasse de novo. Pensei em como minha vida seria uma prisão de escuridão perpetua, foi quando eu avistei a única coisa possível aquela hora da madrugada, dois carros em minha direção. Meu coração acelerou, talvez eu pudesse te encontrar de novo.
Olhei nos olhos da minha que dirigia o celta vermelho, e esperei ela se aproximar, parecia que ela me entendia, mesmo parecendo distraída.
Foi quando resolvi ir aos braços de quem tanto amei.
*                                                                *                                                                         *
- Bruno?  Você está acordado?
Acordei lentamente do que parecia ter sido um pesadelo, onde estava Fabricio? No meu sonho eu só queria encontra-lo.
- Bruno, meu Deus, você acordou!
Marcelo comemorou por algo que eu não compreendia.
- Eu sinto muito, você esteve em coma por 1 mês e 5 dias, deve ter sido difícil para você, eu queria muito estar aqui meu amigo.
Um mês e cinco dias.
Foi então que minha cabeça doeu ao se lembrar do triste fim da minha vida. Eu estava em coma, mas  em algum lugar da minha consciência eu sabia, que eu tinha decidido por um fim na minha vida, porque ela parecia não ter mais sentido algum sem aquele que eu amava. Eu não pude chorar por ele mais do que já havia chorado, eu não pude enterra-lo, nem dizer mais um último adeus, e ainda não pude reencontra-lo, a vida era mais cruel ainda porque teria que viver o resto dos meus dias sem ele.
-O que importa é que agora você está bem, eu vou levar você pra casa e cuidar de você, essa fase ruim na sua vida vai passar – continuava a falar sem perceber que eu não ouvia.
Olhei para Marcelo de relance, parecia que ele tinha tido dias muito ruins também. Parecia que dias ruins era o que havia restado.
*                                                                *                                                                         *
Ao retornar para casa, mal consegui olhar para meu computador. Resolvi não toca-lo. Marcelo foi preparar algo para eu comer, e eu frustrado revirei todas as minhas coisas atrás do meu celular, o encontrei num saquinho do hospital na minha mochila.
Não sei para que fim chequei meus SMS, tinha tantas vezes o nome Fabrício que fiquei tonto. Uma de suas mais recentes mensagens tinha o trecho de alguma música que eu não sabia ao certo mas dizia “Algum dia, uma linda chuva virá e nos lavará para longe”. Algum dia, essa chuva me alcançará?
Resolvi não esperar tanto, a vida continuaria para mim, mas nunca viveria sem ele em meus pensamentos, nunca iria retirar o porta retrato com nossa foto da parede e nunca sairia de casa em dias de sol torto.
Eu aguardo a chuva, eu guardo nosso amor.
A vida resolveu voltar a mim e um dia eu me rendi a ela. Voltei a faculdade e aos eventos de sábado.
Porém aos domingos eu chorava lágrimas de sal.

Priscila Trindade

Nota de Autora:

Uma madrugada qualquer enquanto voltava para casa em meu carro, avistei um ciclista que parecia esperar que eu passasse para atravessar, me surpreendi sem perceber quando ele me encarou muito profundamente nos meus olhos parecendo se desculpar e se jogou na frente do meu carro. Enquanto eu freei o máximo que eu pude um táxi veio ao meu lado e o arremessou para muito longe. Ele ficou inconsciente e foi levado a um hospital. Eu nunca soube o que aconteceu com ele, mas resolvi dá um nome e uma história ao seu rosto triste.

Alma Chorosa

Minha vontade se tornou abstrata
nas ruas vazias da eternidade
minha alma se torna chorosa
aquem de pensamentos torturosos
me entendo como ninguém

Vejo além de toda hierarquia
onde perdemos a noção de nos sentir
Minha alma está chorosa
eu gosto de você
gosto de como se torna ambiguo para mim

E quem nos conhece sabe
eu andei em um rio de lágrimas
me afundei
e de tudo o pior foi que eu gostei
me deixei lá em meados de pronfudezas obscuras

parecia mais confortavél do que seus braços
era um lugar conhecido desde a infância
Eu me perdi. Me deixei estar. Nunca mais voltei.

Priscila Trindade

Te beijomar

Te beijo no mar
A brisa não esta soprando atoa entre nós
Seus cachos, seus lábios
Sensação de autorretrato
Não te chamo
Te deixo estar
Por si
Aqui
Tantas vozes que escolhemos não ouvir
Para poder brincar 
Com os espectros das nossas mão 
E-N-T-R-E-L-A-Ç-A-D-A-S

Priscila Trindade

Novo Layout

     Boa noite pessoal, agora meu blog está com este novo e lindíssimo layout feito por Douglas Mota. O que me faz querer explicar o quanto o desenho tem a ver comigo. Como poucos devem saber, escolhi o nome do blog "Muro dos Devaneios" porque senti a necessidade de colocar um pouco de mim em versos, que sejam poemas, contos ou apenas pequenos trechos.
     Geralmente sou uma pessoa muito pessoal ao escrever, todos os textos aqui encontrados tem muito a ver comigo, fazem parte de algum momento da minha vida, seja atualmente ou seja de anos atrás. O importante é que contem um importante fragmento de mim, retirado de momentos diversos, os quais entreguei todos os meus sentimentos para redigi-los, seja apenas de pequenos devaneios durante a madrugada, meu momento mais criativo onde fico de frente ao meu notebook com as melhores músicas tocando... onde a vida me encontra com milhares de palavras que sentem a vontade de ser escritas.

Espero que compreendam um pouco a importância destas linhas para mim.
Até a próxima e mais uma vez muito obrigada Douglas, sou sua fã!

Conto: (Não) Escrito nas Estrelas

(Not) Written in the stars



Estava sentada em frente ao computador distraída, checando as últimas idiotices enviadas para o meu e-mail, pensando o porquê de as pessoas acreditarem tanto nessas correntes da AOL em que alguma pessoa qualquer vai ganhar um centavo por um e-mail. É tão ilógico, como é que eles não percebem isso? O ser humano realmente gosta de se prender a fantasias bobas sobre qualquer coisa, é como um refúgio para eles. Tento ignorar a janelinha do MSN, afim de desligar essa coisa e ir fazer algo  no mundo real, mas o nome escrito na caixinha me prende. Quando é que ela me deixará em paz afinal de contas? Será que ainda não sofri o suficiente por isso? “Isa, quanto tempo :)” vejo escrito e me questiono quarenta vezes se devo responder ou não. Responder significa dá outra brecha a qualquer parte de um passado partido ao meio. Estamos grandinhas agora, temos que deixar a vida continuar, crescer. Na prática é bem mais difícil. A verdade é essa: Você sempre vai se lembrar de alguma namorada idiota que conheceu na época da escola. Lembro-me bem quando a vi pela primeira vez, era o primeiro dia do último ano escolar, para mim, eu estava com meus amigos fazendo a rotineira ronda pela escola, subindo e descendo a fim de apenas conversar e dar boas risadas. Ela simplesmente passou ao meu lado, e o mundo meio que parou por alguns segundos,  minha mente ficou girando bem devagarzinho, slow motion, enquanto eu reparava em  cada detalhe de seu rosto meio angelical meio devastador, olhos azuis, cabelos pretos e curtos, ela tinha uma rosto tão intrigante, tão encantador. Senti que era ela, não sei, não tinha uma plaquinha escrito “sou eu” mas senti uma vontade imensa de conhecê-la melhor, de saber seu nome, de estar perto dela. Hoje quando lembro deste dia penso que não passou de uma típica paixão adolescente. Todo mundo passa por isso certo? Resolvi ser um pouco adulta e respondi “Oh, olá Nick, tudo bem? Realmente muito tempo se passou”. Então ela respondeu “Estou bem, obrigada.” Ok, então é isso, me diga tchau e vamos voltar para nossas próprias vidas. “Sei que você ainda não me esqueceu.” E isso é para me infernizar, de toda forma, toda vez que ela resolve aparecer em algum canto é para fazer isso, tentar me levar a loucura. Felizmente dessa vez irei apenas ignorar, mandei uma carinha sorridente e desliguei o computador, simplesmente a odeio, porque as coisas ficam bem mais fáceis se você transforma amor em ódio.
*                         *                          *
Deito na cama afim de esquecer qualquer recente que tenha me passado pela cabeça, no entanto não algo assim tão fácil, meu celular toca e é o Ramon me chamando para ir a alguma baladinha com ele a qual eu recuso, neste momento sinto que a minha melhor companhia é a solidão em mim mesma. Afim de entender um pouco mais de mim mesma, é estranho não lembrar um pouco agora de como tudo aconteceu entre eu e a heartbreaker, lembro de nossa primeira conversa onde tudo parecia fantasia olhando de agora, tudo vislumbra como um astro perdido e assim são as lembranças, elas aparecem de vez em quando para nos tirar do ar, nos fazer relembrar de coisas que provavelmente nunca poderemos nos esquecer por completo.
- Você acredita em alma gêmea?
- Não, mas talvez... Depois de hoje eu passe a acreditar – Foi o que respondi antes de toma-la em meus braços e lhe beijar deitada em um gramado escondido em algum canto de nossas memórias.

Os beijos, eu me recordo do sabor dos beijos. Suaves, macios e tão doces. Lembro que não gostei do nosso primeiro, fomos motivadas pela agonia de todos ao redor que queriam que este momento acontecesse logo, aquelas velhas chantagens emocionais que os amigos fazem, porém sabíamos que tínhamos entre nós um momento especial, que tudo aquilo se passava como provações particulares entre nós.  Lembro-me melhor do segundo, foi espetacular, fomos ao cinema, eu e você apenas,  assistir a algum filme que não consigo mais recordar o nome, nos sentamos em alguma fileira e tudo parecia ser espetacular, fogos de artifícios não conseguiram transcrever o sentimento pulsante que senti naquele momento, ninguém nunca poderia provar da mesma suavidade que eu estava provando, era tudo tão novo, tudo tão encantador, tão a prova de qualquer erro.  Só que eu estava errada. Eu sempre estava errada com relação as pessoas. Hoje agarrada a este travesseiro sinto que só eu vivi esses sentimentos, você só estava lá  para ser a figurante perfeita de meu sofrimento.
*                         *                          *
Acordei a espera de qualquer coisa motivadora para sair da cama, me vesti calmamente afim de prolongar mais minha estadia em meu quarto, entrei no carro e fui para o trabalho. Maldita editora a qual trabalho fazendo revisão de textos e às vezes escrevendo artigos, neste momento só vejo pilhas de textos esperando para serem corrigidos e encaminhados para impressão. Na hora de almoço me dirijo ao restaurante no fim da rua, não tem a melhor comida, mas pelo menos posso sentar na mesma perto da janela, observar os carros e fazer o que faço de melhor: refletir sobre a vida.
- Isabela, querida, se importa se eu sentar aqui?
É muita coincidência, Peculiaridade muito frequente na minha vida.
- Claro que não, fique a vontade. – respondo quase cortando os pulsos.
- Obrigada. – Rosto de anjo, olhos ameaçadores, boca convidativa e um passado amaldiçoado para me lembrar do quanto isso tudo está muito errado – Nunca vi aqui antes, vi você assim que entrei.
- É, eu sempre venho aqui, trabalho aqui perto na verdade...
- Você está ótima, o tempo lhe fez bem! Sinto saudades... – disse com tanta segurança que parecia estar esperando que corresse e me jogasse aos braços dela.
Vontade eu teria se não tivesse sido tão desastroso para mim da última vez em que ela reapareceu em minha vida, naquela mesma janelinha do MSN dizendo “venha me ver” e eu tola fui, sabe como são as pessoas que acreditam em amor predestinado? Elas realmente acham que qualquer coisa é literamente tudo, até que se jogam no chão com o coração sangrando até a alma morrer.  Peguei um ônibus, comprei até alguns chocolates que eu sabia que ela gostava, cheguei um pouco atrasada no lugar que combinamos, era um Café bem lindo e arrumado, decorado com flores vermelhas e rosas. Ela me recebeu com um abraço caloroso, me encheu de tantas palavras bonitas, tantas palavras esplendidas que se tornaram nós de pedra em meu cérebro.
- A partir de hoje, seremos só você e eu, vamos esquecer tudo que aconteceu antes, agora somos pessoas diferentes, podemos fazer isso funcionar de verdade Isa, eu nunca deixei de pensar em você uma única noite.
E então vieram os dias seguintes e a ausência de qualquer som. O telefonema avisando que estava apaixonada por qualquer outra pessoa veio feito ferro quente. “ok” eu falei, “siga em frente, seja feliz, podemos ser boas amigas”, boas amigas da qual nunca fomos e nunca iremos ser. A apaguei de todas as minhas redes sociais, bloqueei seu e-mail, seria interessante se eu pudesse apaga-la do mundo, arrasta-la com o cursor e jogar na lixeira. O que tinha se tornado um anjo por alguns minutos tinha voltado a ser um demônio.
- Dessa vez eu mudei Isa, sou outra pessoa. – insistiu mal tocando em sua comida
- Como das outras vezes? Você é sempre a pessoa que muda e espera que todos fiquem ansiosamente aguardando qual será o próximo traço da sua personalidade de mutante.
- Agora é você quem anda assistindo filmes demais.
Filmes ela diz e eu novamente vago, desta vez para uma lembrança calorosa, poucos dias antes de nosso primeiro e mais doloroso rompimento estávamos sentadas em sua sala assistindo a algum filme que passava na TV a cabo, comendo chocolate com sorvete e desejando que aquele momento durasse para sempre.
- Você vai ficar sempre comigo não vai? – perguntou Nick de repente
- Claro que sim amor
- Então prova
- Como?
- De qualquer jeito, apenas prova.
- O que você quer que eu faça? Quer que eu grite? EU TE AMO NICOLE AMORIM! – Gritei por todos os 4 cantos da casa, ela sorriu me abraçando, caímos no chão até que percebi  lagrimas começando a rolar de seus olhos.
- É que, eu tenho tanto medo de te perder, de acontecer alguma coisa...
- Acredite em mim – disse segurando suas mãos e beijando suas lágrimas
Essa é uma parte de toda a história da qual eu menos gosto de acessar, é como se eu tivesse criado uma pasta secreta em meu computador e colocado-a lá, com senha para que eu mesma me lembrasse do quanto isto era perigoso, um vírus qualquer. Então é assim que iria ser, sempre me amedrontando, me pesquisando em suas listas de contato, dizendo que nunca tinha me esquecido e me atormentando mentalmente e emocionalmente sempre que pudesse. Eu queria ser forte como o Ramon pedia para eu ser, mas isso era meio que utópico.

- Estou atrasada para o trabalho – Levantei
Ela me fez prometer que eu iria pensar sobre nós, sobre nossa história, disse que eu me lembraria e saberia como nosso destino foi escrito nas estrelas. Quais? Me lembraria de perguntar da próxima vez. Sai do trabalho um pouco mais tarde, com medo de enfrentar a mim mesma, não poderia ser estúpida mais uma vez, já sabia como isso iria terminar, com outra pessoa envolvida na história, aparecendo do além e sem culpa alguma. Eu vivia tão bem sem remexer meus sentimentos, seguia dia após dia, feliz, sorridente e contente por qualquer coisa, não precisava de nada disso. No entanto, quando a janelinha do MSN piscava, meu coração explodia de ansiedade, esse era o problema: meu próprio coração me enganava, me fazia acreditar que estava tudo bem, sendo que tudo já era uma completa bagunça.
*                         *                          *
Cheguei em casa, tomei um banho quente, sentei-me a mesa de jantar com meu irmão, conversamos sobre tudo sobre a vida dele, o quanto ele estava feliz no novo emprego, e sobre como ele tinha conhecido uma menina noite passada que o deixara animado e novamente cheio de esperanças, o incentivei. Acho tão lindo quando ele sorri com aquelas covinhas. Disse que iria dormir mas fiquei novamente em frente a máquina dos mortais, subindo e descendo as telas como se fosse ter alguma novidade, nenhum e-mail além dos mesmos, nenhuma noticia interessante, um amigo convidando para sair no domingo, outra conhecida pedindo para comentar suas fotos, e assim seguia-se o percurso natural da internet.
Resolvi criar coragem, abri a caixa de e-mails enviados, desci até o final, passei todas as páginas e encontrei os e-mails enviados bruscamente de dois anos atrás, sabia que eles seriam importantes para este momento. Reli e-mails dos quais escrevi com alma sangrando, revivi a parte da história que era proibida, espetei meus dedos nos espinhos da rosa, agora tudo era vermelho assim como suas pétalas ensanguentadas.
- Não caia em um poço sem escadas – meu irmão dizia.

*                         *                          *
As três horas da madrugada meu celular toca desesperado em cima do criado-mudo, luto contra meu sono para conseguir pegar, sinto uma pontada em meu coração, dolorosa ela é, não deve ser algo bom, sinto um pressentimento azedo dentro de mim.
- Isabela, você está acordada? – Perguntou Nick do outro lado da linha
-hum hum
-É... que... sabe, eu não sei se posso esperar até o fim da noite, eu preciso saber Isabela, eu preciso saber.
- Não há nada para saber.
- Como não há? Eu te amo Isabela, você não consegue perceber, eu te amo! Tudo que eu fiz, tudo que eu falei, foi errado, eu era nova e boba, eu não sabia o que era ter o sentimento de alguém, eu não entendia o que era amar, eu...
- Mas eu sabia, e eu te amei, vorazmente, como ninguém nunca te amou.
- Então porque...
- Porque os seus sentimentos não são reais! Você não sabe nada do que você esta falando, quem sempre fica machucada nessa história sou eu. Você espera que eu acredite que você me ama, sendo que você aparece uma vez a cada ano depois de levar um fora de alguém?
- Isso não é verdade.
- Nós não somos verdade.

Desliguei o celular, arranquei bateria, joguei tudo o mais longe possível do meu alcance. Estava transtornada, lágrimas não paravam de jorrar de meus olhos, e tudo tinha acontecido mais uma vez, ela tinha voltado e ido embora. Dessa vez ela iria embora e eu não iria continuar esperando, eu iria arrancar do meu coração qualquer esperança. Eu tinha que ser má comigo mesma para poder esquecer, eu irei me amarrar nesta cama, irei sair sem minha mochila de sentimentos, irei conhecer o mundo cru e devastador como ele é. Serei eu a que seguirá em frente e encontrará uma história real para viver, o passado já me condenou o suficiente e agora eu o condenarei.

Priscila Trindade

Vire a esquerda

Se eu pudesse voltar ao passado
queria encontrar-me em forma física
me olhar nos olhos e sorrir
me lembrar de que a vida ainda é boa naquele momento
que tudo após disso é o fruto prioritário dos meus desejos e anseios
me diria para correr livre mais uma vez
dá mais de uma volta na curva essencial da vida
me encheria de orgulho ver você fazer a coisa certa, eu me diria.
Escolha outros caminhos
Encontre novas passagens
desvie dos problemas que você vê a sua frente
mas não consegue de fato enxerga-los
Se dê uma chance.
Eu já sabia de tudo
Mas eu era cega demais para entender
Eu conhecia a minha alma mas acabei-a suprimida
Eu mesma me desvirtuei do meu verdadeiro eu
e agora me resta a dúvida de sua existência real.
Por favor, querido eu
'peque' a estrada para a esquerda dessa vez.

Priscila Trindade