Meu itinerário

Meu itinerário
é de mim á pessoas
e de pessoas a solidão.
Não me serve de mais nada 
tentar variar a realidade
só me resta descansar e aceitar
o triste fim de Priscila Trindade

Viagem Solitária

As vezes, ao meio de tantas confusões
me pergunto porque sou assim
porque sou tão obscura
e a solidão se vem em volta
queria algo meu, queria me espalhar
queria viver, curtir, sonhar
mas então, querida solidão
ao mesmo que goste de ti, queria livrar-me
de  tuas redondezas
pelo menos pelo dia, a noite poderias voltar a ser minha
infligida abstrata companhia de merda 

Priscila Trindade

Conto: (Falsos) Laços Eternos



Roberta andou pensando e refletindo sobre como as coisas tinham se tornado tão pesadas. Quando ele, de repente, ligasse e perguntasse o porquê da ausência, ela responderia com indiferença que ela tinha andado ocupada com a faculdade e que estava tudo bem, ou poderia ousar responder que ele sempre dizia estar ocupado e não demonstrava sentir sua falta. Isso doía mais do que se poderia prever.
         Ela caminhava, esta tarde, afim de refletir sua nostalgia, pela praça que outrora tanto evitara. De repente se sentia miúda, rastejava sobre todos os eventos cotidianos de sua vida, ele estava em quase todos. Parecia até que seu cérebro só queria que ela pensasse nos momentos em que seu amigo estivera presente. Sentou-se no banco em frente ao poste que só acendia uma luz. Suspirou. Foi ali que pedirá Flavia em namoro em frente aos seus amigos íntimos, todos aplaudiram dizendo como eram lindas, como foram feitas uma para a outra. Lá estava ele, Pedro, também as elogiando e fazendo festa, tecendo planos como se fizesse parte de alguma família estabelecida ali. De algum modo Roberta entendia que aquilo, que era tão bom e tão lindo, era algo passageiro, já tivera sofrido tempos antes do mesmo mau, mesmo assim ela se obrigou a esquecer de seu passado e agarrou com todas as forças a aquele sentimento.
        Levantou-se do banco, pegou o celular e pensou em enviar um SMS para ele, afim de dizer algo do tipo, estou com saudades, sei lá, aparece aqui em casa qualquer dia, mas se conteve. Isso não faria diferença alguma, concluiu. Pensou como era engraçado, sofrer assim por um afastamento tão comum da vida. Pessoas vem e vão o tempo inteiro, tinha se sentido magoada algumas vezes por perder algumas pessoas importantes de sua vida, mas dessa vez estava sendo exagerada. Tentou se convencer sem sucesso, ele era importante, sim, com certeza. Lembrou-se de quando, dois anos atrás, estava em casa, quase cortando os pulsos de tanta aflição, a vida estava a detonando, tudo estava errado em todos os lugares, e a Campânia da sua casa tocou, inútil som, xingou e foi atender ao portão. Pedro, nem eram tão íntimos assim ainda, fora a sua casa e lhe enchera praticamente  a noite inteira sobre seus casos da vida. Daí em diante nasceu um sentimento de irmandade, uma amizade que parecia que desta vez lhe viera para sempre.  A companhia foi reciprocamente bela, tivera sua fidelidade a todos os momentos em que mais precisou até chegar o momento em que ambos tiveram suas vidas tomadas pelo trabalho e estudos.
    Roberta se dedicara completamente a faculdade, se tornara presente em quase todos os setores possíveis aos quais poderia se encaixar, o pouco tempo que lhe sobrava passava com Flavia, a quem estimava ao máximo. O tempo agora a fazia até mesmo se perguntar se estava no caminho certo da vida, se queria mesmo a profissão a qual seguia. Na verdade ao elencar tudo o que se passava em sua mente, agregou com a ausência que atribuía ao amigo era uma forma de se perguntar sobre todos os outros problemas da sua vida. Se ele não estava mais presente, então também significaria que pelo mesmo motivo todas as outras pessoas tinham saído sem explicações de sua vida. Então o problema era com ela? Ou era com consigo mesmo?
   Deixou o carro no estacionamento do Shopping e foi caminhando, ainda perdida em pensamentos torturantes, será que era véspera de réveillon e o fim de ano a estava atormentando ou sua consciência a pregou-lhe uma peça de muito mal gosto? Só queria deixar as coisas rolarem, se esquivarem de si mesmo.  Olhou a vitrine de uma loja de chocolate, entrou e comprou cinco trufas de chocolate amargo os quais guardou para mais tarde. Comeria enquanto estivesse colocando suas leituras em dia, se esforçaria hoje a noite, a tanto tempo abandonara seus  hobbies para ficar na cama pensando em qual o verdadeiro sentido da vida. Voltou para casa, o shopping definitivamente não lhe agradava naquele momento. Sentou-se na cadeira em frente ao notebook, olhou a tela pelo menos umas dez vezes e dane-se irei resolver isso agora mesmo, não  há conflito melhor resolvido que não seja através de uma conversa. Botou-se a ligar, chamou, chamou, até dá caixa. No mínimo ele deveria estar tomando banho, ou dormindo, ligou outra vez, e outra vez e tornou-se a cair na caixa de mensagem. Amanhã será outro dia, e novamente caiu na caixa. Às vezes deixamos pra lá, as vezes nos importamos, mas em algum momento as coisas sempre irão cair na caixa.  Provavelmente nós seres humanos não somos tão determinados assim para conseguir levar tudo que almejamos até o fim, as vezes o fim nos encontra primeiro. Reflexão feita, tomou um banho quente, se serviu de um chocolate com bolo, sentou-se no sofá comendo e percebeu o quanto a ausência estava se tornando uma rotina banal.
    Então é isso, aos poucos irei esquecer até não doer mais. Entrou no carro, ligou o som com seu cantor favorito no máximo, desceu toda a avenida sem se preocupar com limite algum de velocidade, acelerou até aquele sentimento perturbador passar. E passou. Estacionou em frente a casa de Flavia e a convidou a tomar um drinque em algum lugar. Vamos sair, comemorar, hoje estou me tornando livre! Flavia não questionou, como sempre. Fingiu não entender, era melhor não perguntar e deixar o momento acontecer.

Te avistei, te escolhi

Te avistei, te escolhi
ou melhor, algum sentimento em mim
te capturou para meu interior
andei sem entender
respirei pelas metades e consultei meus devaneios particulares
era O.k. tudo isso acontecer? Era errado.
Era perigoso e bonito ao mesmo tempo
era incerto, desespero.
Solidão que ainda habita em mim um dia me deixe saber o porque
ando sendo tão desgastada da minha própria vida
vivo o único e o inexplicável
não gosto de explicar
nem de responder perguntas
gosto do presente áspero e confortável

Priscila Trindade

Intento

Ainda intento teu sorriso
ainda te admiro
te vejo passar, te escuto sussurrar
posso acordar agora? 
A vida está ora um deslumbre, ora a me fatigar
preciso despertar

Priscila Trindade

Inconstante

Estou inconstante destratante
ouvindo música reflito meus sentimentos
Ambulantes, deprimidos 
Desejos sordidos,  sem cabimento algum
queria desistir deles,  jogar minhas vontades fora
mas são mais fortes que eu
Portanto,  não consigo me libertar
sou vitima de mim mesmo 
Me destruo,  me arraso
e levo tudo comigo.

Priscila Trindade