Devaneio Qualquer

Arranquei
os vestigios de uma amizade qualquer
jurei por Deus
vou viver
sem a ti padecer
olhei nas memórias
e nas ilusões
as bestas
as canções
embalei-os num pacote fino
coloquei um selo e um endereço
mandei para a puta que pariu
descondeirei tudo que outrora havia considerado
me martirizei
mas por fim respirei e chorei
senti o alívio que o esquecer nos trás
mergulhei em vãs caminhos
procurei das mesmas coisas
e mais bestas sardentas encontrei
atingi-as com balas temperadas de vergonha
e as detonei com sã memória
recolhi-me mais uma vez
deitei e me desliguei de teus passos
foi dificil esquecer-te
por tanto some-te de uma vez
me deleta, me expulsa
livra esta pobre alma desta repulsa

Priscila Trindade

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